Esta exposição é um convite à observação de aves e a utilização desta atividade como ferramenta pedagógica por parte dos educadores, o que possibilita não só conhecer de forma prática esta classe de animais, mas também complementar o processo de ensino e aprendizagem em diversos campos do conhecimento, diante da vasta conexão que estes organismos possuem com os seres Humanos, com outros animais, plantas, e com meio ambiente.

O conteúdo é aqui apresentado de forma interativa, com caráter lúdico-educativo e também científico, possibilitando a utilização desta exposição como material didático digital nas escolas em diversas etapas do ensino.

Aqui é possível conhecer as espécies e famílias de aves através de fotos, cantos e textos descritivos, interagir virtualmente com a “Trilha das Aves da UnB”, e também percorrer esta trilha no próprio Campus da Universidade de Brasília, conhecendo parte da diversidade de espécies de aves que lá habitam.

A exposição conta com jogos que auxiliam o estudante a assimilar de forma descontraída muitas informações sobre a diversidade das aves e sua ecologia. A “Ludo Trilha”, presente nestes jogos, é uma forma de aprender brincando um pouco sobre a ecologia dos sabiás e dos beija-flores, se lançando em uma aventura imaginária por um ambiente cheio de atrativos, mas também repleto de perigos que enfrentam as aves que habitam o campus.

O estudo sobre as aves é abordado na disciplina de Ciências, no segundo eixo do ensino fundamental, junto com o estudo e classificação dos demais organismos pertencentes ao Reino Animal.  Porém, é possível estabelecer conexões e complementar o estudo dos diversos eixos temáticos, em qualquer etapa do processo de ensino e aprendizagem.

Este diverso grupo de animais é um ótimo instrumento para um ensino transdisciplinar, podendo ser trabalhado também nos campos da História, Geografia, Língua Portuguesa, literatura, Artes Plásticas e em qualquer outra disciplina, diante da extensa teia de relações que possuem.

A figura das aves está presente em diversas manifestações culturais das civilizações e de diferentes povos, cada qual com suas peculiaridades de acordo com a região e características do meio ambiente em que habitaram ou habitam. A exemplo disso, temos registros históricos literários da observação de aves pelo homem desde a Grécia arcaica (Séc. VIII a.C.) através da descrição de espécies reais e fantásticas (imaginárias) nos textos de Hesíodo e Homero. No Egito antigo, as aves também surgem na Figura mitológica de Toth, deus da Sabedoria, representado por íbis, ave pernalta com pescoço longo e bico comprido e encurvado.

Outro paralelo para abordagens históricas pode ser traçado a partir de algumas espécies exóticas, ou seja, que não ocorrem naturalmente em nosso território e foram introduzidas de outros continentes, vindas de carona em navios em diferentes momentos de nossa história.

Na literatura, são fartas as citações desses seres canoros e alados, indissociáveis que são das culturas populares. O Sabiá, ave eleita como símbolo nacional, é um dos mais citados nas poesias e canções populares brasileiras. Guimarães rosa, em sua íntima e poética descrição sobre o Cerrado, também mostrava-se um profundo conhecedor da diversidade das aves silvestres, como visto no romance Grande Sertão Veredas:

“O rio, objeto assim a gente observou, com uma croa de areia amarela, e uma praia larga: manhãzando, ali estava recheio em instância de pássaros. O Reinaldo mesmo chamou minha atenção. O comum: essas garças, enfileirantes, de toda brancura; o jaburu; o pato-verde, o pato-preto, topetudo; marrequinhos dansantes; martim-pescador; mergulhão; e até uns urubus, com aquele triste preto que mancha. Mas, melhor de todos – conforme o Reinaldo disse – o que é o passarim mais bonito e engraçadinho de rio-abaixo e rio-acima: o que se chama o manuelzinho-da-croa”

Quais serão estas espécies citadas por Guimarães Rosa? Quais seus nomes científicos e suas origens? A que famílias pertencem? Quais seus hábitos? Que ambientes lhe são próprios? Ocorrem em todo território nacional ou são restritas ao Cerrado? Migram??? Enfim, são tantos questionamentos e tantos conteúdo a serem trabalhados.

É farto também o manancial de relações entre as culturas indígenas brasileiras e as Aves, as quais herdaram muitos de seus nomes científicos e populares dos índios. Muitos desses nomes nos soam tão naturais que esquecemos de suas origens, como, por exemplo, arara, termo de origem Tupi, provavelmente referente a onomatopeia relacionada ao canto da ave.

A etimologia dos nomes científicos, oriundos do grego e do Latim, muito podem contribuir com aulas de Língua Portuguesa. De uma forma geral, o nome científico das espécies descreve suas características morfológicas e/ou seus hábitos, podendo ser observado de forma prática pelo aluno o significado e origem dos radicais de nosso idioma proveniente do latim. O sistema moderno de classificação foi criado por Carl von Lineu, em 1758, conhecido como o pai da taxonomia moderna.

Espécies de aves aparentadas entre si, que ocorrem em hábitats semelhantes, mas habitam diferentes regiões do globo, ou mesmo separadas apenas por uma barreira geográfica, podem ser um ótimo complemento para as aulas de Geografia, entendendo a forma como os organismos estão distribuídos no planeta. A ema, o avestruz e o emu são um ótimo exemplo. Provavelmente separadas pela fragmentação de uma população ancestral que se distribuía por uma única massa de terra, hoje a ema habita a América do sul, o avestruz a África e o emu a Austrália.

Uma boa observação dos passarinhos no quintal da escola também pode ser um ótimo estimulo para aulas de artes, representando a espécie que mais chamou atenção, através do desenho, escultura, dança, música…

E por que não incluir a Educação Física nesse pacote? A atividade de observação de aves é um hobby com crescente número de adeptos pelo mundo. Estima-se um número de 80 milhões de observadores, concentrados principalmente nos Estados Unidos. Ao praticar, exercita-se corpo e mente, com caminhadas ao ar livre e na natureza.

Professores e alunos podem então valer-se desta exposição como ferramenta de apoio para inclusão do estudo da diversidade de aves e sua ecologia complementando o  processo de ensino e aprendizagem de diversos segmentos curriculares. Nesta página é possível imprimir um roteiro de atividade a ser desenvolvida pelo professor na escola, através do uso da ferramenta digital, atividades em sala e observações ao ar livre, utilizando como apoio a presente “Exposição Virtual das Aves do Campus”.